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A MOSCA MORTA Tereza, uma jovem mulher Sempre vive a lamentar Do marido, um infeliz Que ela tem de aturar O dito é uma alma boa Não faz mal a ninguém Mas só tem iniciativa Para dormir, igual neném Tereza até reconhece Que ele é um cara legal Mas não dá para fingir Essa lerdeza total José parece que morreu E ainda não foi informado Mas mesmo que tivesse sido Seria capaz de perder a vez De entrar no outro lado É difícil acreditar que existe Uma pessoa nessa situação Mas Tereza pode garantir Que não é mentira, não José, uma mosca morta Parece mais uma assombração Aposentado, vive em casa De pijama e meia nos pés Na TV, só assiste àquilo Que não vale um conto de réis A barba é longa e branca O cabelo? Nem se fala! Se toparem com ele na rua Vão achar que é uma mortalha Se mesmo assim ele fosse Uma pessoa higiênica Ainda dava para aturar Uma criatura que não vive E apenas olha o tempo passar ...