Pular para o conteúdo principal

Postagens

Ciclos

Nascer chorando. Engatinhar. Andar. Primeiras palavras: papai e mamãe. Leite quente, papinha. Infância. Sem preocupações. Sem responsabilidades. Educação. Escola. Primeiro dia com choro. Mamãe foi embora e o que vai ser de mim? Outras crianças. O estranho assusta. Acostumei com o estranho. Caí da árvore. Quebrei um braço. Quantas coisas legais escreveram no meu braço de gesso! Ganhei quinze dias de holofotes. O gesso sai. Saem os holofotes. Vida normal. Volto à escola. É a minha vida. O começo embrionário da responsabilidade. A vida é doce! Adolescência. Dúvidas. Depressão. Primeiro amor. Amores platônicos. Que seria da vida se não houvesse sofrimento por amor? Seríamos menos românticos, menos sensíveis? Talvez sim. Senão, as pessoas não sofreriam por amor quando eram adolescentes. É um ponto de vista. A adolescência também é bonita. Cadernos enfeitados. Adesivos da Hello Kitty? Não! De Robert Pattinson, de "O Crepúsculo". Esse sim é o homem ideal! Os meninos gostam de games....

Raimundo

Atrás de óculos e de um bigode, qualquer um esconde os mais recônditos segredos. Rosto sisudo, expressão séria, maxilares travados e tensionados. Assim é Raimundo, que não rima com nada, apenas com ele mesmo. Raimundo é aquele estranho que chama atenção só pela aparência: estranha. Certa vez estava ele no açougue, seriamente, pedindo dois quilos de bisteca: - Dois quilos de bisteca, por obséquio - Por o quê? – Perguntou o açougueiro. - Obséquio. O açougueiro deu um risinho e falou para o cara do despacho: - Corta bisteca aê!!! Dois quilos! Raimundo irritou-se com aquilo. Para ele, um tratamento mais ríspido conversa com a má educação. Mas não ia se trocar no açougue. Preferiu engolir o aborrecimento e dar seguimento à rotina. Pegou a carne e foi para o caixa. Lá, outra bofetada: - Só tá passando se for em dinheiro – Disse a caixa, com cara de poucos amigos. - Mas eu tenho dinheiro aqui. Ia pagar em dinheiro mesmo, senhorita. E a moça do caixa disparou outra: ...

A brevidade da vida

Quando grandes tragédias acontecem, ou mesmo quando perdemos uma pessoa querida no seio da nossa família, assaltam a nossa mente os pensamentos clichês “não somos nada”, “não sabemos de nada”, “a vida é breve”. Fazendo uma reflexão sobre essa brevidade da vida e do que fazemos dela, chego a uma opinião, bem pessoal, que a vida não é breve, nós é que somos breves. Somos breves quando perdemos o tempo precioso que temos aqui nesta vida, não importando se acreditamos ou não numa vida vindoura, em reencarnação, ressurreição, ou o que for. E geralmente os escorregões morais são os fatores que mais nos roubam o breve tempo que temos, ou melhor, que o tornam inútil. Somos breves quando nos comprazemos da desgraça dos outros, somos breves quando tentamos minar o caminho de quem pensamos ser o adversário, somos breves quando procuramos matar no outro a vontade de andar de cabeça erguida. Mas também há os pequenos escorregões, nem tão graves assim, que dão brevidade ao nosso tempo. Somo...

Tempo afiado

Há tempo para tudo já a partir do momento em que nascemos.  Só que entre o nascer e o morrer existe o viver. É aí que o bicho pega. O que fazer com esse enorme intervalo de tempo que temos e que cada vez mais fica maior, levando-se em conta o aumento da expectativa de vida da população? Sem adentrar nos áridos números do IBGE, o fato é: o que fazemos com o nosso tempo é nossa assinatura pessoal.  Em relação ao tempo, podemos dizer que vivemos de ilusões. E a primeira delas é acreditarmos que temos todo o tempo do mundo. E não temos sequer os minutos seguintes. Nós só temos o tempo presente, aquele em que respiramos, aquele em que dizemos “eu te amo”, aquele em que dizemos “Nunca mais” para algo que nos tira do prumo. E seguimos vivendo convictos de certezas, que mudam através dos anos. Outra grande ilusão é a juventude. Quantos, inconscientemente , se comportam como se os 20 anos fossem para sempre, mesmo sem saber que não são?  E à medida que os anos vão passa...

Regando a horta

A palavra felicidade vem do latim “felix”, que significa “frutuoso”, “fértil”, “fecundo”. Sempre dizem que não existe felicidade completa e sim momentos em que ela se faz presente. Será mesmo? Quando falamos em felicidade, pensamos em coisas boas.  Mas são boas apenas na nossa concepção e na de muita gente. Ganhar uma promoção, passar no vestibular, casar, ter filhos. Claro que tudo isso é positivo para uma grande parte das pessoas. Mas estou falando de outras coisas que poderiam ser boas se encaradas com outros olhos.  Separei duas para nossa reflexão: divórcio e perda de um ente querido pela morte. À essa altura vocês, caros leitores, devem estar achando que eu enlouqueci. Mas explico para você desfranzir o cenho. Nós somos levados a achar bom tudo o que não nos incomoda, tudo o que nos dá conforto e não exige muitos sentimentos para administrar possíveis mudanças que nos chegam. Isso é normal. Afinal, somos humanos e estamos aqui aprendendo, aprendendo sempre. Aprendem...

A brevidade da vida

Quando grandes tragédias acontecem, ou mesmo quando perdemos uma pessoa querida no seio da nossa família, assaltam a nossa mente os pensamentos clichês “não somos nada”, “não sabemos de nada”, “a vida é breve”. Fazendo uma reflexão sobre essa brevidade da vida e do que fazemos dela, chego a uma opinião, bem pessoal, que a vida não é breve, nós é que somos breves. Somos breves quando perdemos o tempo precioso que temos aqui nesta vida, não importando se acreditamos ou não numa vida vindoura, em reencarnação, ressurreição, ou o que for. E geralmente os escorregões morais são os fatores que mais nos roubam o breve tempo que temos, ou melhor, que o tornam inútil. Somos breves quando nos comprazemos da desgraça dos outros, somos breves quando tentamos minar o caminho de quem pensamos ser o adversário, somos breves quando procuramos matar no outro a vontade de andar de cabeça erguida.  Mas também há os pequenos escorregões, nem tão graves assim, que dão brevidade ao nosso tempo....

Pronominais e a morte

Certo dia, estavam as três irmãs – Próclise, Mesóclise e Ênclise – reunidas na sala, tomando chá com bolachas integrais. As três não casaram e ficaram com a ingrata missão de vigiar a colocação pronominal da gramática da língua portuguesa. Mas eis que chega uma visita indesejada, a Morte, que adentrou na casa delas: - Oi, meninas! Cheguei! – Anunciou a Morte, efusivamente. - Que susto! Quer matar a gente do coração? – Reclamou Próclise, que sempre faz questão de falar tudo primeiro. - A ideia é justamente essa! – Riu a Morte. - Mas o que você está fazendo aqui? – Perguntou Ênclise. - Levar uma de vocês. Chegou a hora! - O quê?  Como assim? – Assustou-se Mesóclise. - Isso mesmo que vocês escutaram. Pensaram o quê? Que iam ser eternas? - Mas nós vigiamos a gramática! – Reclamou Próclise. - A gramática não precisa mais de vocês. As regras já estão nos livros e os professores ensinam. Portanto, não tem jeito. Vim escolher quem vai primeiro. Para vocês não dize...