Pular para o conteúdo principal

Saber ou não saber?


O famoso dito popular

Que a gente ouve sempre

É: "O que os olhos não veem,

o coração não sente"



Mas eu lhe digo que isso

Não tem nada de verdade

Porque minhocas na cabeça

Nascem em qualquer idade



Quando a gente é criança

Tudo é fantasia, ilusão

Mas quando se é adulto

A realidade perdoa não



Depois que a gente atravessa

As fronteiras do amor

Experimenta o que significa

Ser na vida um sofredor



Ou um sonhador?

Ou um morredor?



Basta gostar um tiquinho

Da pessoa escolhida

Que logo, logo o ciúme

Começamos a dar guarida



Os mais avançados

De pensamento e coração

Dizem logo que isso

É doença, é obsessão



Mas de nada adiantam

Tantas explicações

O que importa mesmo

São as disgressões



Quando a pessoa amada

Muda o comportamento

A cabeça dói logo

É uma tortura, um tormento



Fantasia-se de imediato

Famosas cenas de traição

Telefonemas, motel, encontros

É muita imaginação!



E não basta a pessoa

De pés juntos jurar

Que não trai, nunca traiu

E nem jamais trairá



A mente perturbada

Azeda que nem um limão

Logo arranja um argumento

E derruba a explicação



Sempre dá um jeito

De mostrar por B mais A

Que a história do outro

É fácil de contestar



Feliz é aquele

Que de nada desconfia

Porque se foi traído ou não

Não passará agonia



E se souber da traição

Depois do romance terminado

Vai rir da situação

Pois estará aliviado

Foi enganado sem saber

E poupado de sofrer



Essa filosofia de vida

Não tem nada de loucura

É uma forma de conviver

E ter uma vida mais segura



Melhor viver não sabendo

E, se souber, ignorar

Pois a vida não perdoa

Quem de tudo quer se inteirar

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AMOR LONGE

Não tem coisa mais frustrante Do que namorar de longe Um lá e outro aqui Que nem freira e monge Dizem que a distância aumenta No coração a saudade Mas se você tem urgência Tem que sair da cidade Numa situação dessa É aconselhável pensar Viver junto daria certo? Melhor não especular Já diz um velho ditado Quem casa, quer casa Mas nos tempos de hoje Quem casa, descasa! Porém não quero que pensem Que sou contra o casamento Dormir junto é muito bom Mas pode ser só momento Se você não escolher bem Com esse tormento convive E pra quem namora de longe Disso já está livre Mas livre não está Quando a carência bater O jeito é apelar Pra internet resolver Pela web se conversa Por texto, vídeo e áudio Riem, brigam e choram Depois, cada um pro seu lado Mas também é vantagem Viver um amor assim Aparecem outras pessoas Pra aliviar a fase ruim Agora vamos ser justos Não é legal enganar Se alguém é só um escap...

O riso

O riso é, sim, uma manifestação de alguém que está feliz. Mas é também desespero de alguém em aflição. Porque o riso tem essa característica de ser, em si, oposição. O riso é ainda um recurso de quem é pego de surpresa e, sem saber o que dizer, ri. Ri o riso dos fujões ou dos traídos pela falta de reação ao assalto de um argumento. O riso é, sim, autoritário. Impõe com uma cara engraçada uma inocente piada, que de nada disso tem. Tem pavor, rancor, preconceito. Mas o riso tudo abafa. E aparece, ali, sorrateiro e inconveniente.  Senhor de sua presença. O riso é, sim, falta de assunto. Provocação e até irritação. Testa os nervos de quem vê em tudo um opositor. Testa também os nervos daquele professor. Que suporta, ou não, os risinhos quando tira os olhos do grupo. O riso, em suas variantes e sob todas as suas relatividades, é imprevisível. É um enigma. Porque nem todo riso é sincero. E quando falta a verdade, sobra aut...

Homem ou mulher?

Causa a maior confusão Nome de gente hoje em dia É misturado homem e mulher Maria José e José Maria Se fosse só assim tava bom Mas tem nome que é um nó Sem olhar para o seu dono Não se sabe se o dito cujo Usa saia ou paletó Esse negócio de nome É troço complicado Melhor não mexer muito Pra não ficar desorientado Sou casado há 15 anos E uma situação vivenciei Por causa de um nome esquisito Da minha mulher quase me separei Imagine que estava eu No sofá a descansar Quando o chato telefone Começou a tocar Era um dia de domingo Estava eu folgando do batente E há quatro domingos que minha vida Era era trabalho somente E não queria eu vivenciar Um telefone a incomodar A minha merecida folga No regaço do meu lar Mas eis que o bichinho Voltou a tocar insistente Não tive outra escolha A atender o renitente Disse alô de um lado E do outro escutei estranhando Um 'Oi, amor da minha vida!' 'Adivinha quem está falando?' No começ...