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O ringue






Tem coisa que nunca muda
É tão velha quanto a fome
Uma clássica é a eterna luta
Entre dois tipos de homem

De um lado o bode velho
Experiente, mas não tão rijo
E do outro o cabra novo
Que não tirou a catinga do mijo

O bode velho tem uma vantagem
Que conta muito a seu favor
Faz a moça se apaixonar
E acreditar cegamente no amor

Além da longa vivência
E dos muitos anos já curtidos
Possui um repertório de histórias
Que deixa corações partidos

Mas o cabra novo também
Tem um importante valor
É o vigor físico inegável
Que a toda hora pode dar amor
Além dessa boa condição
Que o faz um forte concorrente
O cabra novo vai demorar mais
A ficar gagá e demente
E, sendo assim, o futuro
Da moça com quem se casar
Vai ser garantido de estripulia
Que só um garotão pode proporcionar

Mas a briga fica mais feia
Quando esses dois inimigos
Disputam a mesma mulher
Para desespero dos amigos

Se a moça for certinha
Bonitinha e jeitosinha
Vai escolher ficar com aquele
Que a trate como uma rainha

Mas se a danada foi pior
Do que uma bruxa malvada
Vai usar os dois e partir
Para uma nova caçada

Afinal a fila anda
E o que é bom se acaba
Pra que marcar touca
Ficando no meio dessa parada?

E assim as duas vítimas
O cabra novo e o bode velho
Vão brigar para sempre
Até as portas do cemitério

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