Pular para o conteúdo principal

Chapeuzinho Vermelho




Todo mundo conhece
A história daquela garota
Ingênua e delicada
E falada de boca em boca

A jovem de quem eu falo
Está no imaginário popular
É comentada de pais para filhos
Conhecida em todo santo lar

Estou falando da Chapeuzinho
Aquela que ia visitar a vovozinha
E foi abordada por um lobo
Quando andava na floresta sozinha

Mas Chapeuzinho cresceu
E sua alma de mulher floresceu
Virou uma adulta bem sabidinha
Tudo ensinado pela vovozinha

O seu primeiro amor de verdade
Foi um rapaz de outra cidade
Que numa festa ela encontrou
Jogou charme e logo o fisgou

O rapaz tinha muitas posses
Mas o coitado era feinho que só
Encontrou em Chapeuzinho
A chance de sair do caritó

O casamento saiu logo
Mas o rapaz marcou bobeira
Fez com comunhão de bens
E ainda caiu na besteira
De deixar Chapeuzinho
Guiar sua vida financeira

Não deu outra diferente
O rapaz boa gente
Amargou a falência
E apelou para o banco
Pedindo clemência

Chapeuzinho, que não é besta
Quando viu o marido derrotado
Saltou fora estrategicamente
Já estava tudo planejado
Conta no exterior
E até o passaporte
A danada já tinha tirado

Um ano se passou
E ao Brasil Chapeuzinho voltou
Rica, bonita e ambiciosa
Encontrou um tiozão
Que lhe deu toda a prosa

Chamou-a para trabalhar com ele
Na empresa da esposa
O resultado não podia ser outro
A esposa pegou Chapeuzinho
Arrastou a danada pelo cabelo
E até hoje ninguém sabe
Do seu real paradeiro

O que foi? Pensou que Chapeuzinho ia se dar bem de novo é?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

No ritmo do mar

Os pensamentos guardam em si a mesma intermitência das ondas do mar. Ora voltam à calmaria, ora revoltam-se contra as pedras, ora nos quebram só para começarmos tudo de novo... E ainda bem que o mar é assim.

O riso

O riso é, sim, uma manifestação de alguém que está feliz. Mas é também desespero de alguém em aflição. Porque o riso tem essa característica de ser, em si, oposição. O riso é ainda um recurso de quem é pego de surpresa e, sem saber o que dizer, ri. Ri o riso dos fujões ou dos traídos pela falta de reação ao assalto de um argumento. O riso é, sim, autoritário. Impõe com uma cara engraçada uma inocente piada, que de nada disso tem. Tem pavor, rancor, preconceito. Mas o riso tudo abafa. E aparece, ali, sorrateiro e inconveniente.  Senhor de sua presença. O riso é, sim, falta de assunto. Provocação e até irritação. Testa os nervos de quem vê em tudo um opositor. Testa também os nervos daquele professor. Que suporta, ou não, os risinhos quando tira os olhos do grupo. O riso, em suas variantes e sob todas as suas relatividades, é imprevisível. É um enigma. Porque nem todo riso é sincero. E quando falta a verdade, sobra aut...

Quarentena da varanda

Virgínia tinha 47 anos e observava a paisagem da varanda de seu apartamento. Fazia isso já há quase 40 dias. Estava em quarentena. Ela e um terço da população do planeta. Um vírus novo, altamente contagioso e letal colocou todos em casa. Ou pelo menos os que quiseram e puderam ficar. Ela tinha 47 e olhava a paisagem da varanda... Uma vida parada ou pulsante ? Engraçado ela comungar dos dois pontos de vista. A cidade estava aparentemente parada. Ouvia e via um carro aqui, outro ali cortar a avenida. Mas as pessoas estavam pulsantes. Cada uma com seus anjos e demônios internos e externos para lidar. Quarentena sozinho, quarentena com a família... Um desafio diário. Imagem: Joseph Redfield Nino / Pixabay Virgínia refletia sobre aquele desafio na vida dela. Não o tempo todo. Procurava dividir a rotina para ter uma rotina. Uma que fizesse sentido. Um novo pra o novo tempo. E um novo para um tempo mais novo ainda que estava por vir. Mas, entre os pensamentos, foi caçar algo na N...