O Café Colombo estava cheio naquela noite de sexta. Rubem, Suzana e a filha deles, Lili, esperaram uns trinta minutos para conseguir uma mesa. Ao se acomodarem e fazerem o pedido, Lili, quatro anos, já mostrou quem dominaria o jantar: - Papai, por que você e mamãe não se separam? Rubem ficou surpreso, mas, acostumado com as perguntas intempestivas da filha, sorriu levemente e respondeu: - Mas por que teríamos de nos separar? Está tudo bem, filhota! - Por que os pais dos meus colegas na classe são separados. Só os meus que não são. Suzana, que arrumava as coisas em uma cadeira, interessou-se em puxar a conversa: - Filhinha, e você gostaria que papai e mamãe se separassem? -... - É, Lili! Você gostaria? Diz pra gente. - Na verdade, não sei. Suzana puxou mais: - Mas se a mamãe e papai fossem separados você seria feliz? - Humm... Pelo menos teria assunto pra conversar com meus colegas. - E o que seus colegas falam dos pais deles? – Rubem já estava interessando-se pela conversa. - Ah! ...