domingo, 27 de novembro de 2011

Saber ou não saber?


O famoso dito popular

Que a gente ouve sempre

É: "O que os olhos não veem,

o coração não sente"



Mas eu lhe digo que isso

Não tem nada de verdade

Porque minhocas na cabeça

Nascem em qualquer idade



Quando a gente é criança

Tudo é fantasia, ilusão

Mas quando se é adulto

A realidade perdoa não



Depois que a gente atravessa

As fronteiras do amor

Experimenta o que significa

Ser na vida um sofredor



Ou um sonhador?

Ou um morredor?



Basta gostar um tiquinho

Da pessoa escolhida

Que logo, logo o ciúme

Começamos a dar guarida



Os mais avançados

De pensamento e coração

Dizem logo que isso

É doença, é obsessão



Mas de nada adiantam

Tantas explicações

O que importa mesmo

São as disgressões



Quando a pessoa amada

Muda o comportamento

A cabeça dói logo

É uma tortura, um tormento



Fantasia-se de imediato

Famosas cenas de traição

Telefonemas, motel, encontros

É muita imaginação!



E não basta a pessoa

De pés juntos jurar

Que não trai, nunca traiu

E nem jamais trairá



A mente perturbada

Azeda que nem um limão

Logo arranja um argumento

E derruba a explicação



Sempre dá um jeito

De mostrar por B mais A

Que a história do outro

É fácil de contestar



Feliz é aquele

Que de nada desconfia

Porque se foi traído ou não

Não passará agonia



E se souber da traição

Depois do romance terminado

Vai rir da situação

Pois estará aliviado

Foi enganado sem saber

E poupado de sofrer



Essa filosofia de vida

Não tem nada de loucura

É uma forma de conviver

E ter uma vida mais segura



Melhor viver não sabendo

E, se souber, ignorar

Pois a vida não perdoa

Quem de tudo quer se inteirar

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