domingo, 18 de dezembro de 2011

A secretária e o chefão


Mentira tem perna curta

Diz o dito popular

E quem gosta de mentir

Procurando disfarçar

O que todos já sabem

É duro de aguentar



Assim é a vida de João

Mentiroso de carteirinha

É dono de um escritório

E a secretária, uma fulaninha

Amante dele há uns três anos

Perigosa e bonitinha



A dita cuja entrou lá

Só como estagiária

Logo puxou o tapete

Da antiga secretária

Que acabou demitida

Por causa da salafrária



A fulana é novinha

Uns vinte cinco aninhos

Mas João chefão já é rodado

Parece um bom velhinho

Cabelo branco e barrigão

E na conta, um dinheirinho



O povo do escritório

Vive à boca miúda

Rindo do jeito que João

Baba pela manteúda

O comentário é grande

E a má fama, graúda



Eles inventam tanta história

Para o caso disfarçar

Mas quanto mais inventam

Mais estão a declarar

Que vivem no maior e melhor

Tico-tico no fubá



A secretária fulaninha

Vive fazendo serão

Ao contrário da antiga

Que hora-extra fazia não

E os colegas do escritório

Só de olho no chefão



Certo dia ligou pra lá

A esposa de João

Queria convidá-lo pra almoçar

Mas perdeu a ligação

Ele saiu com a secretária

Para uma reunião



O povo se revoltava

Com tamanha ousadia

Mas depois se vingou

Com inteligência e maestria

Arranjou um estagiário

Pra fulana entrar numa fria



O novato era bonito

Alto, forte e educado

Novo, com toda energia

João chefão ficou roubado

A secretária só fazia

Ensinar ao danado



Os colegas do escritório

Se danavam a incentivar

E a amizade entre os dois

Só fazia afinar

João chefão ficou estressado

Demitiu o estagiário

Mas foi pior, ficou arrasado



Contrariada, a secretária

Gritou com ele e falou

Que ia embora dali

Atrás do garoto, seu amor

Saiu sem olhar pra trás

E pra João restou a dor



Uma semana depois

A fulaninha volta lá

Entra cheia de moral

E diz que volta a trabalhar

Mas com a condição

De o estagiário voltar



João não pensa duas vezes

Manda chamar o almofadinha

Mas faz uma exigência

Que a tal da fulaninha

Não o traia e lhe seja fiel

Que nem uma cachorrinha



A secretária topou na hora

E o estagiário voltou

E a rotina no escritório

Da água pro vinho mudou

O chefão ficou calminho

A fulana virou Dona Flor

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